TTF - Camila M.

Start to try, because it's your time, time to FLY.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Playground Eterno

E quando ele te olha nos olhos, daquele jeitinho suave, você diz para si mesma que não gosta dele. Quando ele segura suas mãos, daquele jeito seguro, você jura para si mesma que não gosta dele. Quando ele encosta em você e beija seu pescoço devagar, você grita em suas entranhas que não gosta dele. Porque você não gosta de como ele cheira, não gosta de como ele diz seu nome e, definitivamente não gosta de como ele sorri. E em nenhuma das vezes em que ele te abraçou, você desejou ficar ali para sempre e nenhum dia que você passou com ele foi inesquecível. Porque você não se sente feliz e completa quando ele está por perto e nem sente saudades quando ele não está. Porque quando ele te elogia você não fica sem graça e quando ele beija sua orelha você não sente arrepios. Quando você ouve certas músicas você não lembra dele e você nunca pensa nele. Você não imagina um futuro para vocês dois e, para você, nem sequer existe nós dois.
E você realmente acredita que todo esse esforço mental vai te levar a algum lugar. Você realmente está empenhada em acreditar que sua capacidade de pensar será mais forte do que sua capacidade de amar, porque você acredita que o amor não existe e sempre acaba mal e, pior, mal para você. Então você pega um cadeado bem grande e prende todos os seus verdadeiros pensamentos sobre ele e jura que eles nunca vão sair de dentro do seu subconsciente e nem você mesma quer saber deles. Mas você observa cada movimento dele e escuta atentamente a cada palavra que sai de sua boca à procura de um sinal qualquer, uma bandeira branca, algo que te permita ser você mesma, algo que te permita relaxar. Algo que te permita parar de fingir.
Sua verdadeira vontade era de se arriscar e gritar aos sete ventos a verdade. Mas o medo é maior. Medo de se machucar, medo da rejeição, medo da perda, medo da entrega, medo de não conseguir recolher os cacos que se espalharão no chão ao final. E quando você separa seus lábios para dizer alguma coisa sincera, rapidamente sua mente cria uma barreira em volta de você, te protegendo de qualquer ação, palavra ou sequer uma batida mais forte de coração, que cause qualquer consequência prejudicial a você. Você trata de tomar cuidado com cada simples ato e palavra que você diz e se propõe a esconder cada lágrima por trás do sorriso amarelo. E naqueles dias em que você, por mais que tente muito, não consegue esconder o semblante triste, e ele tenta descobrir o que te aflinge, sua vontade é responder "você me aflinge, minha vontade reprimida de ter você só para mim me aflinge" mas sua muralha filtra suas palavras e a única coisa que sai de sua boca é um simples "nada" e um meio sorriso. Pior que uma luta travada com alguém, é uma luta travada consigo mesma, uma luta da verdade contra a mentira, uma luta da razão contra a emoção, uma luta entre o fingir que não se importa e a consciência de que nada importa mais que ele.
E depois que todos os outro rapazes bonitos perdem totalmente o encanto, todas as suas poesias são sobre ele, todas as roupas que você compra você imagina se ele vai gostar, quando você muda o cabelo e pensa se ele vai te achar bonita, quando você se maqueia pensando em esconder dele cada falha de seu rosto, quando cada beijo faz você desejar mais e mais, quando o nome dele começa a aparecer frequentemente em sua cabeça, quando você percebe que, num mundo com mais de 6 bilhões de pessoas, você só interessa por ele, só quer saber o que ele está fazendo, o que ele acha de você, o que ele está pensando, se ele sente o mesmo que você quando vocês se tocam. E é aí que você junta os pedaços desse quebra-cabeça e começa a admitir para si mesma que seus exercícios mentais não estão funcionando e que talvez, só talvez, você estivesse errada quando disse que sabia controlar suas emoções. Então o tempo passa tão rápido que você nem percebe, e quando se dá conta disso, percebe que com ele o tempo passa muito mais rápido e se lembra das suas tardes no playground, quando era criança, de como você se divertia, de como o tempo passava rápido naquele mundinho, e você percebe que você se sente feliz e completa, como uma tarde eterna no playground. E com isso, você percebe que realmente deseja que tudo isso seja eterno.
Na cabeça dele, sem você desconfiar, rondam as mesma questões e as mesmas proteções se formam. Vocês são mais parecidos do que pensavam. No meio do caminho vocês encontram-se num mesmo ponto, onde nada mais importa senão o nós dois. E todas essas dúvidas já não importam mais. Vocês pecebem que a única coisa que importa é ser feliz. Vocês percebem que isso pode ser perfeito e que nem tudo precisa acabar mal. Vocês percebem que nisso todo mundo vai sair ganhando. E aí, vocês se dão conta de todo tempo perdido e de que, nem todo esforço do mundo tem a força suficiente para esconder um sentimento tão intenso. E aí você se entrega. E mergulha de cabeça. Mergulha profundamente na felicidade.

segunda-feira, 2 de março de 2009

This won't last forever

Ok, sejamos sinceros em três pontos. Nada é para sempre, as coisas podem mudar e você não é o dono da razão. Não adianta insistir em juras de amor eterno que nem você mesmo tem certeza. Não adianta mentir pra si mesmo. Não adianta fugir dos problemas e se acovardar diante da vida. Sua pose de machão não esconde que você, na verdade é só mais um homenzinho insignificante comparado a grandeza do mundo. Continue acreditando que seu fechado círculo de amigos super populares, lindos, ricos e maravilhosos, seu carro último modelo, suas roupas de grife e seu cabelo oxigenado são as coisas mais importantes do mundo e logo verá que seus amigos te abandonarão, seu carro ficará velho e ultrapassado, suas roupas sairão de moda e seu cabelo grisalho ficará. Nada é para sempre, meu bem, nem mesmo você com seu mundinho perfeito. Entenda que a beleza de seu rosto e corpo perfeitos esvaecerá com o tempo e a herança que seus pais lhe deixaram uma hora acabará. Então é melhor você tomar alguma vergonha na cara, levante e vá estudar. Pare de desperdiçar tempo com seus amiguinhos inconsequentes, pois é o tempo que lhe fará falta quando você já não tiver saída. Tudo isso é ridículo e um disperdício de vida, de talento. Acha mesmo que sua cara de mau consegue conquistar coisas ou pessoas significantes? Ser lembrado como parte da turminha rebelde do colégio não fará muita diferença quando você estiver procurando um emprego descente para poder sustentar sua família. Lembre-se de que nada é para sempre.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Cada um

"Eu definitivamente não nasci para isso", era a única coisa em que eu podia pensar. Pra mim não era normal, tudo obra do destino? PFF. Me poupe de frases feitas, clichés... Não acredito nisso. Eu passei todo aquele período da minha vida (que não foi pequeno) dizendo a mim mesma que era muito pra mim, que eu não aguentaria, que eu era nova demais e que no final eu, provavelmente, me daria mal, ou faria mal... muito mal. E aqui estou eu, no final, quero dizer, existe uma grande chance de isso ser o final, afinal, nada mais pode dar certo... Sabe, eu tentei. Tentei de tudo mesmo. Mas foi aí que você começou a querer interferir na minha personalidade, sempre sendo tão diferente de mim em alguns aspectos, sempre me cobrando coisas que eu não era capaz de lhe oferecer. As pessoas me perguntavam se eu realmente te amava, me diziam que não era certo brincar com os sentimentos dos outros, porque você era tão bem intencionado, me amava tanto... Ah! Mas será que ninguém me entende? Cada um tem a sua própria maneira de amar, de demonstrar, de dizer as coisas mais importantes. Mas será que ninguém sabe que quando se ama não se espera nada em troca? É aí que os seres humanos se enganam... Estão sempre esperando que o outro te ame de volta da mesma maneira, que demonstre da mesma maneira, que lhe corresponda todos os atos e palavras. Mas não é assim que a banda toca, meu bem. Não adianta esperar que eu mude por você, por maior que seja meu amor ele é da minha maneira e se me amasse de verdade, amava assim, do jeito que eu sou. E se não for pra ser verdadeiro, que não seja.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Here, by my side

Senta aqui. Quero te contar uma coisa. Contar sobre todas as vezes em que passei a noite em claro pensando em você. Sobre todas as tardes que passei chorando com a cara enfiada no travesseiro, sem nem ao menos me importar com o fato de que meus olhos ficariam inchados, por causa das coisas que você me fez. Quero te contar sobre as vezes em que você me deixou confusa, sem saber se eu te assustava ou se te encantava. Senta aqui, pois, problemas à parte, também quero te contar sobre aquelas vezes em que você me fez rir, quando tudo que eu queria era chorar. Quero contar à você sobre aquelas vezes em que perto de você me senti segura e, pela 1ª vez, amada. Quero te contar tudo aquilo que eu sempre quis dizer, mas que, por insegurança, não pude. Vem cá, quero te contar meus sonhos e ambições, temores e tristezas. Vem cá, senta ao meu lado e nunca mais vai embora.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Vem comigo

Vem comigo, meu bem, deixa eu te mostrar como o dia está bonito. Deixa eu te mostrar o céu azul que se exibe lá fora. Deixa eu te mostrar como a vida é curta. Deixa eu te mostrar como é lindo o sorriso de uma criança, o ronronar de um bichano. Deixa eu te mostrar como o calor das minhas mãos podem esquentar as suas. Deixa eu te mostrar no meu abraço o seu caminho e no meu beijo sua perdição. Deixa eu te mostrar o que é felicidade. Vem aqui, sente como meu coração bate forte quando meus olhos encontram os seus, como eu fico trêmula quando você me toca. Vem comigo. Não há o que temer. Não há porquê esperar. Deixa eu te mostrar como meu amor por ti é grande. Vem comigo.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Don't wake me up

Foi tudo tão rápido, mas ainda assim não consigo achar que estamos com pressa, pois tudo aconteceu tão naturalmente que eu nem senti. Agora passo o dia, a tarde, a noite pensando em você, é tanto que às vezes aparece até meus sonhos. Justo eu que sempre disse não ao amor, sempre achei cafona, bobeira e quando me pergutavam eu dizia "Não sofro desse mal!". Agora pago o preço de todas minhas palavras orgulhosas: me apaixonei perdidamente. Tudo me lembra você e agora só consigo pensar em como será a próxima vez que nos encontrarmos. Você fez meu medo desaparecer com suas palavras doces e seu jeitinho de me cativar. Não sei porque, mas eu me sinto segura com você e por mais medrosa que eu seja, sinto que nada pode dar errado dessa vez. Ah, como eu quero que tudo dê certo. Conversar com você é a parte mais divertida do dia e nada supera isso. Todas as coisas que temos em comum, como o tempo passa quando estamos conversando, como você desperta em mim os melhores sentimentos, o jeito como você me trata, o jeito como você me faz esquecer de todo resto ao meu redor... Não pode ser passageiro, não pode ser mentira, tem que ser real e verdadeiro, porque é verdadeiro e óbvio o quanto eu te amo. E se for sonho, não me acorde, por favor.

C e J

sábado, 28 de junho de 2008

Stop Running

Ah, pare de fugir. Pare de preferir meras aventuras sem nenhum apego, sem nenhum carinho. Um pouco de sentimento não fará de você fraca. Render-se à um impulso não fará de você menos inteligente. Entende que, eventualmente, você se machucará e cairá, mas levantará, mais fortalecida do que nunca, pois é para isso que as tijoladas na cabeça, as trombadas de cara com a parede, os erros, servem. Pare de fugir. Não fuja quando a coisa toda ficar séria. Não tenha medo do que talvez, quem sabe, possa acontecer. Seja mais otimista. Talvez ele realmente esteja dizendo a verdade, talvez ele goste de você, talvez ele mereça uma segunda chance. Quero dizer, todos merecem uma segunda chance. Pare de ser tão dura com os outros e, principalmente, pare de ser tão dura com si mesma. Acorde e pense, mesmo que uma única vez, que o dia pode ser verdadeiramente bom. Veja que o copo pode estar meio cheio. Olhe-se no espelho e diga: "Estou linda hoje". Pelo menos uma vez, tire os pés do chão e sonhe, sonhe de olhos fechados, de olhos abertos, sonhe com um lugar bonito, sonhe com a felicidade, sonhe com o amor, mas, no sonho, não fuja. Deixe o calor tomar conta de você e perceba que o que realmente importa está bem em baixo de seu nariz e você nunca percebeu. Você não é a dona da verdade. Ouça aquela voz amiga que lhe diz, diz para não ser tão fria, tão distante. Aquela que te diz para ficar. Aquela que diz que está tudo bem, que você pode abaixar a guarda. Aquela que te diz para parar fugir. Para parar de fugir do amor. Ainda há esperança.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O mar

O mar é traiçoeiro, te faz ver coisas que, antes, não existiam. Te faz esquecer as horas, pular os minutos, nem notar os segundos. Em alguns pontos as ondas quebram e nos derrubam, nos afogam, mas em outros pontos há aquelas ondas que vêm calmas e só nos levantam, passando uma sensação de calmaria, de verão. A areia no fundo é fofa e mesmo que nossos pés às vezes não a alcancem, tem sempre aquele alguém especial que segura nossas mãos.
E da caminhada na areia às horas na água, me fizeram perceber que o que eu sempre quis esteve sempre ali, bem ao meu lado, em baixo do meu nariz. Foi quando me dei conta de que o sol escaldante, a água salgada em minha garganta e olhos, meu cabelo desalinhado e meu biquíni ameaçando cair, não faziam diferença para mim, pois suas mão estavam ao redor de minha cintura para que eu não afundasse. Achei engraçado o jeito como nossa conversa fluía e como o seu cabelo ficava bonito daquele jeitinho desalinhado e molhado. Senti um arrepio quando suas mão pousaram em minha barriga, coloquei meus braços em volta de seu pescoço e não consegui mais pensar em nada...
O mar é assim, confuso, contraditório, receptivo, calmante e ao mesmo tempo estressante, tocante, delicioso. O mar é cego. O mar é lindo.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Só para ver se dá certo

Nesse ano novo pularei sete ondas na praia, só para ver se dá sorte. Sorrirei mais, só para ver se funciona. Pensarei positivo, só para ver se é verdade. Abraçarei mais quem eu amo, só para confirmar. Estudarei mais, só para ver se eu passo no vestibular. Dançarei mais, só para ver se me divirto. Cantarei mais, só para ver se espanta meus males. Lerei mais, só para ver se sonho mais. Soprarei mais bolhas, só para ver se esqueço um pouco dos problemas. Pularei mais, só para ver se me sinto mais leve. Permitirei me apaixonar, só para ver se sou correspondida. Jogarei na mega-sena, só para ver se eu ganho. Deixarei o celular ligado de noite, só para ver se alguém liga. Jogarei mais vídeo-game, só para ver se chego no chefão. Tirarei mais fotos, só para ver se não esqueço dos bons momentos. Serei mais feliz nesse ano novo, só para ver se dá certo.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Adeus ano velho, Feliz ano novo!

Acabou. É só isso em que eu consigo pensar. As luzes de Natal nas casas, as mensagens de companhias telefônicas desejando “um próspero ano novo”, um diploma em cima da mesa, uma viagem de formatura, amigos secretos, e, principalmente, as despedidas, esfregam em minha cara que 2007 acabou.
Já me bate uma imensa saudade dos amigos que agora ficam para trás, da velha escola, do tempo livre, da turma do inglês, da paixão adolescente, de falar besteira depois da aula, de quem me acompanhava até em casa, de estar na 8ª série, de ter 13 anos, que saudade de 2007...
Guardo desse ano que passou apenas as fotos e lembranças. Dou espaço a uma nova fase, com novos amigos, nova idade, novos modos de pensar e novas paixões. Dou espaço ao Ensino Médio, a falta de tempo livre, a nova escola, novos professores e nova turma do inglês.
Limpo as lágrimas de despedida e começo 2008 com o pé direito, renovada, de corpo e alma.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Salto para a vida

A vi pela primeira vez debruçada no parapeito da varanda, descalça, com uma sandália em cada mão, com a maquiagem borrada, com o cabelo bagunçado pelo vento e olhos profundos e distantes. Era linda, mesmo toda bagunçada. Corri para o parapeito, onde ela estava, e num impulso segurei sua mão com força, como se perdê-la fosse a pior coisa do mundo. Eu nem a conhecia. Ela virou calmamente o rosto e olhou no fundo dos meus olhos. Ela não disse uma palavra, mas foi como se tivesse me lido por dentro. Eu não consegui ver nada em seus olhos: eram profundos, escuros, impenetráveis e indiferentes. “O que você está fazendo?”, eu disse. “Sabe, nessa vida eu perdi tudo: o amor, a família, o dinheiro, a felicidade... Mas sempre jurei para mim mesma que nunca me levariam a dignidade nem o orgulho. Mas me tomaram tudo impiedosamente.”, ela disse com a voz rouca, porém firme. Suas palavras não combinavam com sua expressão tranqüila e sua expressão tranqüila não combinava com sua aparência bagunçada. Eu buscava palavras para confortá-la, quando ela interrompeu meus pensamentos, “A vida é uma ilusão. O que vem depois dela é muito melhor, acredito eu. Talvez os significados de vida e morte estejam trocados, e na verdade, quando morremos é quando realmente começamos a viver.”, eu continuava segurando sua mão, com força, com medo, e ela continuou “Na verdadeira vida não há tentações, não há decepções, não há enganações, armações. Na verdadeira vida a gente é feliz todo o tempo e nosso namorado não dorme com nossa melhor amiga. Nessa verdadeira vida, o dinheiro não é tão necessário e nós vivemos cercados de pessoas verdadeiras, que amamos e que nos amam. É ela que eu quero.”, ela então olhou para minha mão, fortemente agarrada à dela e sorriu. Foi quando, num ímpeto, eu a soltei, pisquei e ela pulou. Da varanda do quinto andar.

O que me conforta

É que se nada é para sempre, a dor também passa.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Amor (de verdade)

Eu que antes não sabia o que era o amor, que o esnobava e maltratava, agora sou-lhe uma grande admiradora. Busquei, entre flores e declarações, uma prova concreta do amor verdadeiro e o encontrei no colo de uma mãe, no abraço da vovó, no ombro de um amigo, no beijo de um amante. Encontrei-o nas bodas de ouro de um casal já velhinho, e também no aniversário de uma semana de um casal ainda jovem. Encontrei-o em palavras confortantes e consoladoras, contudo encontrei em palavras firinas e dolorosas. Aprendi, assim, que o amor e o ódio andam juntinhos. Entendi que a ilusão de um amor perfeito é deliciosa e que sonhar com uma casa de três andares em Copacabana, cinco filhos lindos, um marido perfeito e um cachorro, às vezes faz bem. Compreendi que o amor machuca, mas não é em vão, afinal nenhum amor é grande o bastante se não doer. Concluí que o primeiro passo do amor é o calor da paixão, mas isso não quer dizer que a paixão acaba quando começa o amor. E finalizei admirada, com a beleza de todos os tipos de amor.

Cadê o ar?

Sufoquei.

sábado, 17 de novembro de 2007

Traição

Seu abdômen definido e bronzeado, seus braços fortes, seus olhos azuis, seus cabelos loiros e sedosos, seu pescoço perfumado e seus lábios macios já não me impressionam. Seu beijo já não me leva às alturas e em seu abraço já não me sinto segura. Sua expressão, antes charmosa, agora me parece arrogante e sua voz de veludo agora me é estranhamente irritante. Suas palavras de amor me enojam e quando chega perto de mim sinto repulsa. Suas mensagens em minha caixa postal, antes desesperadamente esperadas, agora são apagadas sem nem mesmo serem lidas. Suas graças e piadas para mim antes eram divertidíssimas e passar um tempo com você era a melhor coisa do mundo, mas agora é tortura e mudo meu caminho para não cruzar com você. Troquei de calçada, mudei de telefone, de endereço. Mas você mudou mais ainda. Antes era tão apaixonado e agora, eu sei, só finge ser. O objetivo eu desconheço. Fazia-me juras eternas de amor e fidelidade e agora as quebrou, provando que era exatamente o contrário do que eu pensava ser. Suas palavras de amor são apenas para me reconquistar em vão, pedidos de perdão com frases de efeito. Você não sabe como odeio clichês? Se lembre como roubou minha confiança, minha segurança, minha felicidade, minha paz, meu coração. Se lembre de que me apunhalou pelas costas e me deixou agonizando no chão, sangrando. Se lembre que essa ferida nunca vai cicatrizar. Se lembre bem de como me traiu.

P.S.: Fiz 14 aninhos no dia 14. Palmas para mim!
P.P.S.: A minha viagem de formatura foi TUDO!

Acho que aprendi a amar

Pois fico feliz por você estar feliz, mesmo que seja com outra.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A culpa é delas (ou nossa)

Estou realmente cansada de as mulheres repetirem aquele velho clichê de que os homens não prestam, de que são inúteis, que são todos iguais e blábláblá, e não fazerem nada a respeito. Em primeiro lugar se os homens são assim é porque algum motivo tem, seja de criação, seja de “cultivação”, seja de genética. Na minha opinião a culpa é toda da sociedade. Por exemplo, quem inventou que quem pede para namorar, casar, beijar, enfim, qualquer um desses tipos de contatos, é o homem? Na sociedade mulher que faz isso é porque está desesperadamente carente. Ah, e também quem inventou que futebol é coisa de homem? Eu sou uma torcedora tricolor roxa e ainda arrisco alguns golzinhos e, aliás, ninguém viu as nossas brasileiras no Pan? Também tem aquele negócio de que homem que fica com muitas mulheres é pegador e mulher é galinha. O mais triste é que isso não parte apenas de boquinhas rachadas masculinas machistas, parte também de boquinhas femininas com gloss de morango. E é aí que o problema se agrava. Os homens são criados para serem assim, pra gostar de peitos e bundas e mulher pelada. Se não gosta é porque é viado. Mas a principal causa desses defeitos apontados pelas mulheres são elas mesmas. Sim, amiguinha, a culpa é sua, que se arruma toda para eles, que faz qualquer coisa por aquele cara, que fica com qualquer um. Enfim, porque alguém daria valor à quem não se dá o devido valor?

P.S.: Happy Halloween! Feliz dia das Bruxas!
P.P.S.: Faltam 11 dias para minha viagem de formatura e eu nem comprei as coisas para levar, nem sei que fantasia eu vo comprar ahsuhausha. Deixar tudo para última hora é o que há!

Não é brega, é clássico (Subpost)

Andar de charrete, flores, cartões românticos, serenata, demonstrações de afeto em público, dançar agarradinho, Caetano Veloso, Roberto Carlos, Beatles, Elvis, falar de amor, poesia.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

A Extinção

Dia desses eu estava assistindo um desses desenhos japoneses para adultos, no caso homens. Começa com o protagonista empurrando o carro na chuva (acho que o carro estava quebrado), aí ele passa por um beco e um cara oferece a ele uma pílula que promete o levar a um mundo maravilhoso. O protagonista então toma a pílula, que o faz desmaiar e “viajar” para outro mundo. Nesse outro mundo só há mulheres e logo que ele chega lá cinco delas fazem uma “festa privada” com ele. Aí chega a líder delas e leva o cara para uma gaiola. Então, ela explica para ele que ele é o último homem da Terra porque há alguns anos, alienígenas haviam abduzido todos os homens. O protagonista pergunta por que ninguém fez nada e a líder das mulheres responde com naturalidade que nada podia ser feito, porque os alienígenas haviam oferecido aos homens cerveja e acesso grátis a canais eróticos. O resto do episódio foi uma baboseira só, com a tal pílula proporcionando ao japonês várias fantasias que acabavam mal.
Enfim, o que realmente me fez pensar foi o negócio dos alienígenas. Quero dizer, eu acho que se um dia der na telha dos alienígenas (seres muito mais evoluídos que nós) de invadir a Terra e abduzir todos os homens eles vão conseguir. Porque, sendo muito evoluídos, eles iriam, antes de tudo, fazer uma observação da Terra, aí eles perceberiam que pelo comportamento masculino seria fácil suborná-los, fosse com canal erótico, fosse com bebida alcoólica. Fácil assim, todos os homens da Terra seriam abduzidos e a raça humana seria condenada à extinção.
É, nós mulheres precisamos de atrativos maiores que canais eróticos e bebida alcoólica. Pelo bem da humanidade.

PS.: Declaro agora o início de um especial sobre homens com tempo indeterminado. Sacou?

domingo, 28 de outubro de 2007

Mudando e fazendo mudar

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.” (Raul Seixas)

Mesmo tendo sido escrito erroneamente para caber na melodia, de uns tempos para cá tenho adotado esse refrão tão famoso em minha vida. Quando mais nova, eu era pouco flexível e nunca mudava de opinião. Minha personalidade forte sempre foi minha principal característica e compreensiva estava longe de ser uma de minhas qualidades. Para mim, ceder era coisa de gente sem personalidade e era contra meus princípios pensar que nem tudo na vida é preto no branco, sim ou não, amor ou ódio. O meio ou a metade eram coisas imaginárias, existentes em meu vocabulário apenas para identificar aquela bolacha trakinas de leite e chocolate que eu nem gostava muito. Muitas vezes disse nunca e, com a mesma facilidade, sempre. Agora, pensando melhor, a palavra nunca é muito perigosa, tanto quanto a palavra sempre é relativa e indeterminada. Afinal, não sabemos onde o sempre vai dar ou qual é o limite do nunca. Enfim, reconhecer os meios termos da vida e mudar, sem nenhuma pretensão, acredito eu, foi um grande passo à maturidade.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

A amizade é o casamento da alma

“O amigo: um ser que a vida não explica; Que só se vai ao ver outro nascer; E o espelho de minha alma multiplica...” (Vinícius de Moraes)

À você confiei grande parte de minha vida. Meus medos te contei, sem me preocupar com o que irias pensar, pois sabia que jamais irias me julgar. Minhas alegrias passadas, todas te contei, nas mesmas tardes em que passei alegrias do presente contigo. Nas horas em que precisava de apoio, fosse para chorar, fosse para lutar, sabia que estavas lá para mim, assim como eu estava para você. Não consigo recordar-me de nenhuma briga... Talvez não fossem importantes, talvez não tenham acontecido. Afinal, que diferença teríamos a discutir? Sempre me completou as frases e me narrou os pensamentos. Coisa mais importante que você em minha vida não creio que exista. Não me venhas com essa de que tens de ir, pois sem você aqui para quem vou contar meus segredos, com quem vou dividir minhas alegrias, pensamentos “nefastos” e piadinhas sem sentido? Não quero que se vás. Já lhe disse que sou contra a auto-mutilação e é assim que me sentiria se não te visse mais. Mutilada, despedaçada, despida em frente a multidão. Ah, como me farias falta o simples ato de te dizer bom-dia pela manhã e ouvir os seus problemas, que não deixam de serem meus também. Não se vá, não fujas para a Pasárgada, mesmo sendo amiga do rei, fiques aqui comigo e continue sendo minha amiga. A melhor de todas as amigas.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Jack e Rose para sempre

Após assistir o filme "Titanic" me senti profundamente indignada. Como é que a Rose não fica com o Jack? Coitadinhos, sofreram tanto para sair do navio, para permanecerem vivos e aí quando a ajuda chega o Jack já está morto. Foi realmente triste e inesperado para mim.
Então descobri que tenho uma síndrome, chamada a síndrome do tudo-tem-que-dar-certo. Eu sempre fico indignada quando o mocinho não fica com a mocinha no final. Eu sei que é um filme, mas podia ser verdade. A Rose refez sua vida, deixando para trás qualquer vestígio do Titanic, provavelmente porque doía demais lembrar. Sei que a dor de amar é muito grande, principalmente se esse amor for interrompido tão abruptamente. Talvez essa minha síndrome seja conseqüência da dúvida sobre o que vem depois da morte. Mas agora eu me pergunto, seria o amor tão grande que dure até após a morte?

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Coisas que só o 1º Grau te proporciona!

Tudo começa com muita alegria e expectativa. Em nosso 1º dia no primário, colocamos cadernos novinhos dentro da bolsa, torcendo para usá-los bastante. A idéia de ir para escola parece muito boa. Aprender coisas novas, pensamos, pode ser legal. Aí chegamos na escola. No pátio crianças de todas as idades estão espalhadas correndo, gritando, caindo, brincando. Tudo o que queríamos. Logo viramos uma dessa crianças. Por um bom tempo é tudo diversão. Até as aulas de matemática. Passa a 2ª série do mesmo jeito. Mas na metade da 3ª série já está tudo diferente. Além de a maioria de seus antigos amigos estarem espalhados por outras salas, a coisa começa a ficar séria, as provas mais difíceis e o sexo oposto começa a parecer mais interessante. Até que ao chegar na quarta série, o último ano do primário, uma tragédia acontece. O dia do brinquedo não existe mais. Você não tem mais onde exibir sua nova barbie nem seu super carrinho hot weels. E não pára por aí. É na 4ª série que as aulas de ciências falam sobre o corpo humano, inclusive o sistema reprodutor masculino e feminino. Crianças de 10 anos não têm o mínimo de maturidade para falar disso e caem na risada. Extremamente constrangedor. Aí vem o ginásio. A 5ª série começa com a iniciação de muitas vidas amorosas, também é quando os hormônios começam a aflorar. As matérias, é claro, ficam cada vez mais difíceis e os professores, cada vez mais chatos. A 6ª série é a mesma coisa, só que com gente 1 ano mais velha que na 5ª, o que não faz muita diferença, porque a cabeça é a mesma. Mas na 7ª série o bicho pega. As matérias são difíceis e chataaaas. É nessa época da vida que ninguém quer estudar: quando chega aos treze. Além disso, os hormônios afloram MESMO! Os meninos começam a adorar peitos e bundas e as meninas ficam bobas querendo beijar o 1º que passar. Na 8ª série você se forma. E sob toneladas e toneladas de hormônios em ebulição, faz uma viagem dos formandos, para um lugar lotado de adolescentes. E acaba.
Com certeza o ponto alto do 1º grau é a formatura. Que é quando você sai dessa tortura, pra depois lembrar, em um momento de nostalgia durante a velhice, o quanto foi bom.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Dor dessas, dor daquelas, dor assim

Pode-se dizer que ele foi meu maior cliché. Talvez minha maior contradição. Até mesmo meu único acerto, ou maior erro. Mas com certeza, meu maior e mais verdadeiro amor. Pode-se dizer que virou um amor ingrato. Talvez minha maior decepção. Até mesmo um amor azedo, amargo. Mas com certeza, virou minha maior dor. Uma dor dessas que têm gosto de saudade. Dessas que não dá para esconder. Dessas que a gente tira proveito para escrever textos como esse. Dor daquelas que deixam seqüelas, marcas que não podem ser apagadas. Daquelas que te corroem as entranhas e te sufocam como uma corda, apertada em seu pescoço. Daquelas que se podem sentir fisicamente, como um aperto forte no peito. Dor que sempre trás boas lembranças de fins de tarde, ou lembranças nem tão boas, como de brigas causadoras de danos impagáveis, danos do coração. Dor que me faz pensar se vai tudo se concertar, se tudo foi apenas um pesadelo do qual eu ainda vou acordar. Dor que me faz chorar, chorar até dormir, com a cabeça enfiada no travesseiro. Dor que parece ferida, do tipo que não cicatriza. Dor do tipo que não se deseja para ninguém, nem para o pior inimigo. Dor daquelas que eu sei que lê não conhece. Dor daquelas, dor de amar.
Ai, essa dor. Amor, se soubesses como dói não me tratarias assim. Arrepender-se-ia. Se soubesses como esse amor é grande não fugirias. Amaria-me. Ah, se soubesses. Se soubesses, estaria aqui, e não lá. Estaria aqui bem perto, cuidando do que é, sempre foi e sempre será seu: meu coração.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Felicidade é um fim de tarde olhando o mar (?)

Em meio a tantos que buscam a tal da felicidade incansavelmente, eu me pergunto: Quem é essa? O que é esse objetivo que parece nunca ser alcançado por nós, pobres mortais? Será um tesouro? Uma dádiva? Um talento? É, talvez esteja no dna. Talvez hajam aqueles que nascem para serem felizes, assim como aqueles que nascem para cantar, para cozinhar, para dançar. Talvez nós todos sejamos felizes e não sabemos. Talvez a felicidade esteja mesmo nas pequenas coisas, como dizem os comerciais de seguro de vida. Talvez o dinheiro compre a felicidade, talvez mande buscar ou talvez não a traga nem a compre. Talvez a felicidade seja uma coisa relativa, do tipo que acontece para quem realmente acredita, assim como as fadas e duendes e outros seres místicos só aparecem para quem acredita neles. Talvez a sua felicidade dependa do karma, das coisas que você faz, ou fez, nessa vida ou na outra. Mas aí já é uma questão muito mais complexa. Talvez a felicidade seja apenas excesso de endorfina em nosso cérebro e não um reflexo de nossas realizações. Ou talvez seja um reflexo de nossas realizações. Talvez a felicidade seja aquilo que sentimos depois de comer uma grande barra de chocolate, ou ao abraçar e beijar alguém que amamos muito, ou ao fazer aquilo que gostamos tanto. Talvez a felicidade tenha uma explicação física, quântica, química, biológica e matemática, que só não foi descoberta ainda. Talvez a felicidade não tenha explicação nenhuma. Talvez a felicidade seja um fim de tarde olhando o mar. Quem sabe?

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Não me cobres, já não tem volta

A noite era fria e o vento beijava meus braços e pernas descobertos. Eu desejava que isso acabasse logo, aquilo não podia ir muito longe. Eu não ia deixar. Não ia deixar que, depois de tudo que ele havia me feito passar agora me cobrasse uma coisa que eu não podia dar, uma coisa que eu havia cobrado dele por tanto tempo, uma coisa que ele não iria reconquistar. Eu não ia deixar ele reconquistar.
- Como podes me cobrar amor depois de todo esse tempo? - eu disse calmamente.
- Como podes me negar amor se tantas vezes me cobrou? - disse ele um pouco inconformado.
- Mas já faz tempo. O amor acaba. Já não tem volta, meu querido. - eu disse, ficando meio irritada.
- O amor não acaba tão facilmente assim. Não é fácil esquecer alguém. - ele disse, e eu senti uma certa arrogancia em sua voz.
- Você que pensa. - eu estava realmente irritada. - O amor embolora, cria fungos, amarela, acaba entre um sorriso e um soluço, no meio do cinema, numa quarta-feira de cinzas, num sábado de Carnaval. O amor acaba. Tão facilmente quanto começa. Tão facilmente quanto eu te esqueci. E você deveria fazer o mesmo sobre mim.
E eu fui embora, se ele tinha algo a dizer eu não queria ouvir. Senti que suas palavras não eram verdadeiras, eram só um reflexo da solidão. Ela o havia abandonado, não a solidão, sua amada. Sua verdadeira amada. Ele veio em busca de abrigo no abraço de quem ele sabia que ia conseguir. Ou pelo menos achava. Ele devia saber que o amor acaba.

Inspirado em "O amor acaba" de Antonio Prata, que mesmo sem saber, me inspira.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Não tenha medo

Te observo de longe, uma dor no peito me atinge: você já não é o mesmo, seus olhos já não brilham e seus lábios só se separam para gritar ou dizer palavras amargas, não mais para sorrir. Lágrimas já não podem cair de meus olhos, mas eu me sentia triste, não pela razão de você se encontrar naquele lugar, mas pelo seu timbre desanimado e seu rosto triste.
Eu nunca havia imaginado que sua reação seria assim. Afinal, eu nunca havia nem pensado nisso. Por toda minha vida, apenas pensei positivo e agora me sentia muito bem. Você grita, chorando como eu nunca havia visto antes, que não pode viver sem a minha presença, que sem mim não haverá mais vida e que será tudo muito cliché e sem graça sem a minha beleza e a minha espontaneidade. A sua dor eu podia até sentir, pois seu rosto e suas palavras a transmitiam de tal forma que me corroía o interior. Ao meu lado, me apressavam, já estava na hora. Eu não podia partir sem te acalmar. E com uma mão em seu ombro e um sorriso singelo, tentando transmitir paz eu sussurrei em seu ouvido: "Calma, meu amor, não tenha medo, vai ficar tudo bem, você vai estar sempre em meu coração e eu nunca vou te abandonar. Se eu vou é porque chegou minha hora e eu já não posso mais ficar. Seja feliz como se eu ainda estivesse ao seu lado. Eu te amo." Com essas palavras eu parti, já era hora. Te deixei ali, ajoelhado, bem ao lado de um jazido que dizia: "Aqui jaz Carrie, amada amiga, esposa, mãe e filha". Te deixei ali, ajoelhado ao lado de meu jazido.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Eu ainda te amo

Alice estava preocupada, se perguntava se ele a salvaria, se fugiria com ela, se a resgataria de toda essa lamúria, se pelo menos chegaria a tempo...

Olhei-me no espelho com certo desespero. Eu estava linda. A maquiagem estava perfeitamente intacta, o penteado também. Estava tudo maravilhoso. O dia estava ensolarado, os convidados já haviam chego, a banda tocava uma música suave e todos estavam me esperando. Eu era o centro das atenções e adorava isso. Mas a minha última semana não me deixava descer. Pensava que, talvez, tenha sido coisa do destino eu tê-lo reencontrado e me vinha a cabeça cada detalhe de nossa história. Desde as promessas de matrimônio no jardim de infância, até a viagem de formatura em Paris, onde o sonho se tornou pesadelo. Éramos muito jovens e a paixão era muito arrebatadora, não podia dar certo. Passaram-se quase dez anos e eu o reencontrei. Caminhava pelo lugar que mais gostávamos, lembrando que fazia exatamente 26 anos desde a primeira vez que nos vimos, no 1º dia do jardim de infância. Aquele parque continuava o mesmo, era verão e o dia estava tão ensolarado, não havia uma nuvem no céu. A brisa da tarde beijava meus cabelos, jogando-os em meu rosto quando eu te vi olhando para o nosso clichê mais clichê. Eu ri. Você olhava para a nossa árvore, onde você havia escrito com um canivete "A e F" dentro de um coração flechado, quando tínhamos 14 anos. Fui correndo em sua direção e coloquei minha mão em seu ombro. Você ainda era o mesmo. Seus olhos penetrantes e o timbre da sua voz, que me disse "eu ainda te amo" sem nem hesitar. Meu coração gritava dentro do meu peito, luatava contra meus neurônios, que diziam não, mas meu coração era mais forte e eu te beijei. Passamos a semana como dois adolescentes bobos e apaixonados. A fúria da paixão era tamanha, que parecia que estávamos tentando recompensar 10 anos sem se ver a cada dia. E estávamos conseguindo. Mas ontem eu tive que te contar. Eu te liguei e nos encontramos em uma cafeteria, quando você chegou eu não pude evitar e desabei a chorar. Você me abraçou e eu te segurei com muita força, desejando que o tempo parasse. Você beijava minha testa e eu parecia descontrolada. Eu tinha que contar. "Estou de casamento marcado. Para amanhã." E não pude ficar ali. Saí correndo. Como sempre, fugindo de meus problemas. E agora estava ali esperando com desespero que você me salvasse, porque o único que eu amava era você.
Limpei as lágrimas e com minha pose de durona de sempre, desci as escadas em direção ao quintal, onde todos me aguardavam anciosamente. De braço dado com meu pai, comecei a caminhar em direção ao altar, vagarosamente, morrendo de medo. Os convidados todos olhavam para mim com aquela expressão de admiração e algumas mulheres até choravam. Eu ria amarelo para eles e te procurava em meio a multidão. Estava a dois passos do altar quando uma voz às minhas costas gritou ofegante:
- EU AINDA TE AMO, ALICE!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Escrevendo sobre nada, em lugar nenhum, para quem quiser ler.

Nunca fui um padrão de beleza e nem desejo ser. Nunca fui de alimentar fantasias e expectativas de espectadores da vida alheia e por vontade própria, decidi ser sempre eu mesma. Sem mentiras e falcatruas. Alguns tropeços eu dei, mas de queixo erguido eu levantei e até rimei! Não perdoei muitas vezes, e das vezes em que perdoei, confesso, não foi de coração. Não disse “eu te amo” muitas vezes, mas quando disse foi inteiramente e verdadeiramente de coração. Não vivi muito, mas o pouco que vivi, foi um pouco bem intenso. Da vida, sempre esperei o melhor, sem me preocupar com o futuro, nem remoer o passado, acreditando que o aqui e agora era o que valia, pois é tudo o que temos: o passado não volta e o futuro é só amanhã e hoje ainda podem acontecer muitas e muitas coisas, que podem até, quem sabe, mudar sua vida. Nunca fui de listar minhas qualidades, contando vantagem, e, muito menos, de apontar os defeitos dos outros. Quem sou eu para julgar alguém? Nunca odiei ninguém que deixou claro para mim que me odiava, me senti lisonjeada na verdade, pois a única razão de uma pessoa odiar outra, é por querer ser exatamente como ela. Também nunca odiei pessoas firinas e desagradáveis, que não percebem o mal que causam ao ferir alguém, atingindo seu ponto fraco, pois essas pessoas são aquelas que não entendem que vivemos numa sociedade e que todos têm defeitos, já que são esses que nos fazem quem somos. Inclusive ela, que tem o maior de todos. Nunca fui de sentar no fundão e fazer bagunça. Mas sempre fui de ver a professora mexer a boca sem ouvir uma palavra do que ela estava dizendo, por estar com a cabeça nas nuvens, com os pés fora do chão. Nunca fui sensível, nem delicada. Mas tento ser agradável e simpática sempre que possível. Nunca fui de chorar pelos cantos, reclamar de meus problemas pra os outros. As pessoas já têm seus próprios problemas para ainda terem que se preocupar com os meus. Sempre pensei na vida como uma rosa, e sei que devo me sentir feliz pelos espinhos terem uma rosa e não me sentir triste pela rosa ter espinhos. Na vida a gente aprende, a gente sofre, a gente é feliz, a gente ama, a gente chora, a gente canta, dança e pinta o sete. Tudo deve ser feito intensamente, sem preocupação com o dia de amanhã, porque amanhã ainda está muito longe!